segunda-feira, abril 25, 2005

Pausa para os comerciais

O Grillo falante me soprou no ouvido:

Segundo The Economist (aquele jornaleco que ninguém lê e que ninguém dá a mínima bola), a publicidade no mundo faz movimentar a cada ano mais ou menos um trilhão de dólares entre anúncios, veiculações e promoções varias. É dinheiro que não acaba mais, usado para bombardear a mente dos consumidores, aqueles que um dia foram chamados de cidadãos. Hoje o setor extrapolou a simples venda de produtos e serve aos mais variados fins, inclusive ideológicos. O problema é que todo mundo está cheio até as tampas com a publicidade. Eu pelo menos estou.

De acordo com o jornal (o papo sobre jornaleco ali em cima era irônico, será que tenho que dizer?) um americano médio é exposto a 3000 mensagens de marketing a cada dia e dois terços dos consumidores se sentem literalmente bombardeados de excessos de marketing e publicidade. E depois: a internet está substituindo a publicidade como meio de informações sobre produtos. Oito clientes de cada dez da Ford americana, se serviram da internet para decidir pela compra. Ou seja, daqueles mil bilhões de dólares investidos em anúncios e promoções, uma parte significativa é desperdiçada porque simplesmente os consumidores não se baseiam mais nas peças belas e criativas da televisão ou outros meios mas sim nos dados objetivos que encontram na internet. E não é o caso de migrar para a internet enchendo-a de anúncios pois vai em contradição exatamente com a potencialidade e vocação do meio. Cada vez mais as pessoas instalam filtros para se proteger do massacre marketologico e não seria boa idéia continuar a investir em vão. Como diz o Grillo: não serve adicionar publicidade mas sim substituir, ou seja, reduzir a despesa com publicidade na medida que os consumidores aumentam a capacidade de informar-se autonomamente. Vamos gastar esse dinheiro com outras coisas ou reverter em beneficio de quem compra, em outras palavras, baixar os preços.

Segundo Kevin Roberts Ceo da Saatchi & Saatchi, pela primeira vez o consumidor é o chefe. Isso é fascinante e assustador porque tudo aquilo com que éramos habituados não funcionará mais em breve tempo. As empresas que conseguirem entender que estão aqui pra servir e não o contrario sobreviverão. Eu particularmente quero ver as empresas multinacionais aos meus pés, pedindo penico. Vou poder inflar meu snobismo. Bello!

2 Comments:

Blogger Lucia Malla said...

Preciso dizer q quando eu vou para algum lugar mais remoto no planeta (como praias desertas no sul da Bahia) uma das coisas q eu rapidamente percebo em mim eh a tranquilidade q ausencia de poluicao visual me traz. E se eu fico mais de 5 dias nesse lugar remoto, na voltaa urbe, tenho um choque MESMO, de me sentir mal, intoxicada. Vivemos no meio de um lixo visual.

8:03 AM  
Anonymous Mônica said...

Cada canto do mundo é um canto, e acho que quem vai cantar de galo na publicidade brasileira será quem se dirige àqueles que não têm acesso à internet. Será? Bom, mas eu não imaginava que a publicidade estava perdendo tanto assim para a busca voluntária, via internet, por produtos.

2:57 AM  

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