sábado, maio 21, 2005

Eles

Lá estão eles, sentados sempre naquele canto do bar, bebendo uma cerveja e falando. Falam muito alto e riem e parece que o que falam é muito interessante. Seus corpos assumem poses esteticamente estudadas para impressionar. São pessoas não muito bonitas mas tem postura e parece que ganham importância com isso. Não os conheço e nunca vou querer conhece-los. Estragaria a mágica do nosso relacionamento, pois os vejo quase todos os dias e talvez eles façam o mesmo, é possivel que me vejam, mas são anônimos. Quero que seja assim, gente que vejo e não conheço. Morrerei sem saber do que falam, do que tramam, do que combinam. Não serei nunca convidado por eles para algo e não poderei levar pra cama nenhuma delas. Mas se me apresento, digo quem sou, passo a fazer parte e ai então como poderei ficar aqui com meu copo, imaginando que eles são tudo o que eu nunca consegui ser? Como posso destruir minha convicção que o que eles dizem é algo de espetacular e fora do meu entendimento? Bela gente, que ri, que brinca, que fala coisas importantes. Eu? Eu e meu copo, daqui fico olhando e isso é tudo o que posso e devo fazer.

7 Comments:

Blogger Fernando said...

Oi, Flavio,
E, do lado de lá, por detrás dos seus copos e risos, estarão eles imaginando quão bacana seria estar "lá",de onde você os observa, calmo e plácido a olha-los, descansadamente.
Troquemos de lugar?
Abração
fernando cals

10:12 PM  
Anonymous Elisa said...

Observar, do lado de cá......é bom....imaginar....é ótimo....exercita....beijos

12:19 AM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Eu sou curiosa demais pra isso... mas as vezes e' melhor ficar so imaginando, os blogs nao deixam de ser espacos fantasticos pra o exercicio desse voyerismo, nao?

Afinal, e o New Order? :)

7:34 AM  
Anonymous Mônica said...

E isso tudo que você pode e deve fazer é, mais ou menos, o que eu e o Guto fazemos às vezes quando ficamos, os dois, "conversando em silêncio" num bar. Somos que nem aquelas velhinhas solteironas que ficam na janela observando as coisas. A única diferença é que "pescamos" algumas conversas. É muito interessante ficar espiando os outros e "conhecendo" sem conhecer.

E aí eu pensei: será que no fundo a gente não conhece até os conhecidos e amigos, guardadas as devidas proporções, claro, também desse jeito?
Acho que sim. ;)

Adorei esse post. Abriu meu falador.

Beijo,

Mônica.

7:28 PM  
Blogger Milton said...

Esta coisa de ficar sentando, fantasiando conversas esplêndidas entre as pessoas que observamos, imaginando quão perfeito seria amar aquela mulher que ri naquela mesa, etc. é um sentimento que muitas vezes tive. Logo que comecei a ler, torci para que a história ficasse assim, sem fim, conclusão ou continuidade. Grande abraço.

5:11 AM  
Anonymous tiagón said...

muitas vezes a realidade é decepcionante, se comparada à fantástica percepção que nossas sinapses oferecem. o lance é aprender a jogar certo, pra só romper o devaneio nas tacadas certeiras. compartilho contigo a crônica! grande abraço!

6:21 PM  
Anonymous Guilherme said...

Aaaah, observar, observar...o prazer, a vontade, a satisfação.
O que isso diz em relação a nós, os observadores?

2:48 PM  

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