sexta-feira, maio 13, 2005

OK Computer

Um arquiteto hoje trabalha fundamentalmente diante de um computador. Para piorar, muitas vezes se diverte também na frente do mesmo. Computadores são belas coisas mas dão tendinite e barriga.

Remexendo em meus cds encontro Ok Computer do Radiohead. Maravilha de musica e texto que não se sabe bem se é rock, pop, ou o que. Em todo caso é musica que faz emocionar e no final é isso que importa. Porém me lembro que o cd é do Silvano e que devo devolve-lo. Na ultima vez que lhe telefonei, ele me respondeu meio ofegante que hoje não venha aqui não, acabo de me separar e estou morando provisoriamente em um lugar nojento, me liga outro dia. Isso já faz um ano, penso que já posso ligar. Ouço “Airbag” e penso em quantas vezes toquei esse rif na guitarra. A ponto de meu filho me mandar estudar outra coisa.

O Silvano eu conheci em uma situação particular, dois anos atrás. Eu fazia consultoria e projetos para uma pequena empresa de instalações e decoração. Entre tanto projetos que fiz, um era para uma casa na ilha de Salina no arquipélago Eolie na Sicília. Reforma completa mais arquitetura de interiores. Nunca conheci o proprietário que me disseram tratar-se de um empresário de Brescia. Era uma bela casa típica mediterrânea com seu varandão frontal tomando toda a largura da fachada e suas paredes brancas e irregulares. Tudo projetado, aprovado, pago e esquecido, um belo dia o proprietário da empresa me chama e me diz:

- Flavio, a obra lá em Salina está quase terminando, estamos na fase de meter já os móveis e eu vou pra lá daqui a quinze dias. O problema é que na próxima semana não teremos ninguém pra coordenar os trabalhos lá e pensei que você pudesse nos dar uma ajuda nesse sentido.

- Voltar a Salinas e coordenar a instalação dos moveis? Pode ser, mas...

- Sim mas não é só coordenar. Acontece que quando eu for eu vou com o furgão levar alguns moveis mas não basta, o furgão é pequeno, você teria que fazer o mesmo.

- Você esta me sugerindo que eu, um arquiteto, com especialização e larga experiência, vá dirigindo um caminhãozinho carregado de moveis por 800 km. até aquela zona que é o porto de Napoli e depois passe duas noites em balsa pra você economizar no transporte?

- Sim, é isso.

-Ok, eu topo.

-Pois bem segunda feira se parte e acompanhando você na estrada vai o furgão da empresa de estufas. O Silvano é quem vai instalar as estufas. Depois em Orvieto vocês se encontram com o outro caminhão dos moveis. Porem são duas noites na balsa e uma lá na ilha já que não tem balsa terça a noite. Mas já está tudo certo, os rapazes da obra estão te esperando lá e você dorme na casa que eles alugaram.

- Bem, se estamos no inferno o que custa um abraço no diabo?

Estufas em Salina? Essa ilha fica na mesma latitude da Líbia e o que o cara ia fazer com estufas lá? Bem, problema dele, na segunda partimos as seis da manhã e percebo que a embreagem está mais lisa que a careca do Amin, mas vamos em frente. Para inaugurar a semana e a viagem, um primeiro vexame. Meia hora depois de partirmos, já a cento e vinte por hora, me veio uma crise sem precedentes de vontade de ir ao banheiro. Domingo se come como um boi e ai não teve jeito. Liguei desesperado à empresa mas era cedo, não tinha ninguém, como não pensei nisso? Pensar? Ta brincando, pensar é já um esforço arriscado nessa situação. Liguei pro celular do proprietário.

- Rápido, me dá o numero do Silvano. Tenho que falar com ele. Vai, porra, é urgente

- Mas o que aconteceu? Vai me dizer que...

- Não aconteceu nada, ainda não, mas vai logo senão vai acontecer..

Bem, liguei pro Silvano dizendo que tinha que dar uma parada no próximo posto de serviço e quando desci do caminhão correndo com as pernas juntas e entrei meio azulado no banheiro, pude ouvir as suas gargalhadas.

Sugeri depois um café e então pudemos trocar aquelas palavras que se usam quando se conhece uma pessoa. De repente ele me diz:

- Você curte Radiohead?

- Sim, porque?

- Então pega aqui pra ouvir na viagem. Ok Computer.

E partimos, eu agora ouvindo “Paranoid Android” e a paisagem pareceu mudar. A Itália é bela e enorme, maior que a Europa. Quando se viaja ela cresce e se transmuta. “I may be paranoid, but not an android.” E o celular que não parava de tocar. Era sempre o proprietário da empresa querendo saber como eu estava.

- Olha se for o caso vocês dão uma parada e compram um remédio pra diarréia.

- Porra eu não tenho diarréia!! Eu só como demais, só isso.

- Olha la, só não vá me sujar o caminhão

- Vai cagar, vai.

- Olha quem diz.

Por pouco não joguei fora o celular.

Orvieto. Parada para almoço. Ligamos ao Valentino, motorista do terceiro caminhão que nos diz que está a apenas dez quilômetros. Feitas as apresentações comemos a bisteca ouvindo o Valentino, um clássico camionista cinquentão, discorrer sobre a necessidade de se fazer uma reforma tributária, onde as pessoas físicas teriam restituição integral e as empresas arcariam com toda a arrecadação. As alíquotas seriam escalonadas e de acordo com o faturamento e porte das empresas. Achei meio insólito, mas como estudei economia de forma muito superficial, não discuti.

Estrada. Ouço três vezes “Exit music(For A Film)” enquanto roda diante dos meus olhos o meu particular road movie spaghetti. “Today we escape, we escape” Chegamos a Napoli ao cair da tarde e a zona era maior que nunca. Bastou descer da cabine e se aproximou um tipo estranho me oferecendo um celular. Eles te vendem o telefone e depois dão um jeito de te dar um pacote com um tijolo dentro. O incrível é que muita gente cai nesse truque. O cara insiste.

- O modelo é novo, vale trezentos mas te vendo a cem.

- Se vale trezentos eu pensaria em pagar trezentos e não cem. Porque não me pede trezentos?

- Hehehe, ok, então ta, te vendo a trezentos.

- Não, ta muito caro.

O cara fica furioso porque vê que estou gozando com sua cara. Melhor bater em retirada porque aqui é meio perigoso, vamos para o porto.

Pesados os caminhões, o meu conta 7.340 kg. E se a embreagem não andava la muito grande coisa, no momento de manobrar o furgão dentro da balsa o cheiro de queimado me fez esperar problemas para o futuro próximo. Embarcados, o melhor a fazer é comer, ou não? Noto em uma placa escrita pessimamente à mão que o restaurante só abre as oito. Como estamos no sul e aqui é tudo mais ou menos mais ou menos as 8 e 50 abrem as portas. Todo o pessoal de bordo é napolitano e como característica, falam ao mesmo tempo. Todos os oito que ali estão no restaurante, garçons, caixa, todos, falam ao mesmo tempo, aos gritos. Isso normalmente, mas quando noto que falta o saleiro na mesa então vira um pandemônio. Um gritando ao outro: o sal ! o sal! Ate que vem o garçom com um pratinho cheio de sal e diz cortês e resignado: não encontramos o saleiro, o cozinheiro manda este com desculpas. Valentino então nos expõe melhor suas teorias a respeito da redistribuição de rendas como modo de se garantir a democracia e a estabilidade das instituições. Eu e Silvano escutamos atentos e os bocejos nos vem porque estamos muito cansados e não porque não nos interessa o discurso de Valentino.

Acordo as cinco da manhã e vou ver o dia nascer no convés. Logo depois chega Silvano que me fala de quanto bons são os ingleses em fazer musica, muito melhores que nós italianos. Me conta que foi contrabaixista de uma banda que vendeu dois mil LPs na Itália e mil na Coréia. Pergunto porque na Coréia e ele me diz que também queria saber. Mas sua paixão é não só a musica inglesa mas também o modo de vida.

- Ah, Inglaterra, isso sim que é pais, não essa merda cheia de comedores de macarrão.

- Discordo Silvano, acho que na Itália se faz boa musica também, só não é divulgada como se deve.

Chega então Valentino e se põe a nos dizer de como seria a Itália com a reforma tributária por ele idealizada. Ai não resisto e promovo um debate.

- Valentino, anos e anos de estrada dirigindo o caminhão fizeram de você um teórico de economia política. Me diga então aqui ao Silvano das diferenças entre a economia Italiana e a Inglesa, do ponto de vista musical, claro.

Enquanto eles discutiam meti os fones e ouvi “No Surprises”, que me elevou a outros patamares. “I'll take a quiet life, a handshake of carbon monoxide, with no alarms and no surprises” Ao longe pude ver a silhueta do Stromboli do qual nos aproximávamos devagar. Por longos minutos acho que horas ou dias, na verdade o tempo se diluiu, olhei para aquele monte cuspindo lava. Silvano e Valentino se aproximaram de onde eu estava e ficamos ali, os três, mudos observando aquele espetáculo único. Podia ouvir-se um rumor baixo e profundo quando a lava se alçava. Majestosos peidos magníficos da mãe terra. Aquele era um momento de pura ligação com o primordial. Um trilhão de coisa me vieram à mente e entendi que nessa vida se deve ser simples e verdadeiro. Olhei para Valentino e disse.

- A próxima vez que você abrir a boca pra falar de reforma tributaria eu dou um jeito de te jogar no mar.

Chegados à ilha não conseguia entender o porque nos haviam levado a algum canto desconhecido do Ribeirão da Ilha de Florianópolis. As pessoas, todas meio manezinhos da ilha, os seus gestos, atitudes, as casas, as pedras, tudo me fazia lembrar os tempos de Santa Catarina. Porem logo ali tinha a praia e a areia preta e a água quente pelos vulcões me fizeram realinhar os pensamentos.

Ligo para o mestre de obras que me diz:

- Quem é você?

- Como quem sou eu? Disseram-me que vocês estariam nos esperando aqui no porto, mas não veio ninguém.

- Nos não estamos esperando ninguém não. E desligou.

Pensei: começamos bem por aqui. Depois de mil ligações cruzadas aparece o tipo com a má vontade que mamãe lhe deu e começamos a escalada. Deveríamos levar os caminhões do outro lado do morro pela estradinha estreita e super inclinada. Os meus 7.340 Kg sem fricção de embreagem fizeram o percurso de quinze quilômetros em uma hora e dez minutos, em primeira e manobrando nas curvas. Quando me lembro, penso que não era eu. Não poderia ter feito tal loucura, mas fiz. Chegando la outra bela surpresa. Na ânsia de agradar o cliente, nosso amigo da empresa de decoração, mandou pra la os moveis enquanto ainda estavam na obra, pedreiros, eletricistas, gesseiros, pintores, carpinteiros e ceramistas, alem de duas moças contratadas no local para fazer a limpeza! Por instantes quis chorar mas logo depois me vinha o riso. Esse bando de gente se esbarrando e brigando, um estragando o trabalho do outro e as duas com um balde e uma vassoura nas mãos seguindo a sujeira e gritando: Porca puttana! Che schiffo!

Liguei pra Riva del Garda:

- Escuta, eu não vou coordenar porra nenhuma aqui. Não me meto nessa briga. Isso aqui é uma zona e ninguém nem sabe quem sou eu, imagina que eu vou orientar alguém aqui, me vão chutar o traseiro.

- Deixa que eu ligo pra eles e dou um jeito. E você, está melhor da diarréia?

- Não sei porque que quando você me fala de diarréia me lembro de sua mãe.

Mais mil telefonemas e cinco minutos depois aquele que nos pegou no porto com má vontade veio me falar:

- Doutor, estamos às suas ordens. E sorriu.

Acabava de ver como funcionam as coisas na terra da máfia. A gente ali é acostumada a ser subalterna, porem só serve a quem tem mesmo poder. Aproveitei:

-Precisamos descarregar os caminhões, preciso de ao menos quatro homens e depois de uma grua, mesmo pequena para descarregar os tijolos das estufas. Eu vou ao bar pois tenho problema na coluna e não posso carregar peso

- Não precisa pedir de novo, o senhor é que manda. O melhor bar é aquele perto da praia.

- Ok, vamos ver.

Pude girar então pela ilha ouvindo “The Tourist” e aquilo me fez bem apesar de me sentir um pouco idiota. “hey man, slow down, slow down, idiot, slow down, slow down.”

A noite na ilha foi infernal. O pessoal da obra, todo de Brescia, alugou uma casa no alto de uma colina. A vista era maravilhosa, melhor que a da casa em reforma que ficava em um buraco. O problema é que dormir com quarenta graus de temperatura e sendo atacado por pulgas e pernilongos carnívoros não é exatamente a idéia que faço do repouso. Botei o colchão na varanda e dormi olhando as estrelas e ouvindo o doce vôo dos pernilongos. No dia seguinte fui à praia acompanhado pelo Valentino que estranhamente não me falou nada sobre reforma fiscal. Silvano ficou la na casa, montando as estufas. Voltei lá ainda antes de partir e dei mais uma porção de orientações importantes, principalmente para as faxineiras: calma, garotas, calma.

Partimos eu e Valentino ao anoitecer e durante o jantar ele girou a conversa de tudo que foi jeito e eu só dizia bobagens pois sabia que vinha bomba. Na sobremesa ele me olhou e disse:

- Eu sei que não é todo mundo que gosta de economia. Mas as minhas teses são fruto de minhas reflexões e....

- Valentino, estamos em alto mar.

- Vamos tomar o café la fora?

- Ok.

- Já entendi, não falo mais.

- Bom garoto.

Todo o percurso de volta lutei contra o sono e tomei litros de café, coca.cola, energético, taurina e não dava jeito. Foram três noites de sono de merda e por três ou quatro vezes dormi ao volante. Ouvi ainda algumas vezes Ok Computer, a trilha sonora dessa aventura , pensando que por quatro dias estive longe de um computador mas lembrando sempre dele. Em Firenze me despedi de Valentino e lhe disse que em uma oportunidade melhor gostaria de aprofundar aquela conversa sobre reforma fiscal. Ele me abraçou forte e nos afastamos. Nunca mais o vi.

Estes quatro dias que passei longe de um computador me deixaram marcas.

Bem, vou ligar para o Silvano.

17 Comments:

Anonymous Mônica said...

Puxa, tanta coisa na minha cabeça depois de ler o texto... Primeiro Radiohead. Hoje eu TENHO que ouvir Ok Computer. Maravilhoso.

Passaram pela minha cabeça também minhas encrencas arquitetônicas, essas confusões que, no final das contas, podem até ser divertidas.

Ah, pensei muito mais coisa. Vou comentando aos poucos, se conseguir lembrar... ;)

Lembrei de uma coisa que queria falar: adorei o texto.

6:15 PM  
Anonymous Pecus said...

Belo causo, nada snob. Lembro muito bem quando a Creep apareceu na MTV. Antes de entrar a parte suja, tem um ameaço, uma experimentada (crâncan?)que marcou época.

7:39 PM  
Blogger Dudi said...

Belo!!! Me lembrou o "Louco do Cati" do Dyonélio Machado.

8:54 PM  
Blogger Idelber said...

Que relato! Acho que depois dessa você tem o direito de ficar com o CD...

Abraço,

9:53 PM  
Blogger Fernando said...

Pois é, Flavio,
Lá, como cá, nosotros Arquitetos, somos levados a incriveis tarefas.
Mas, e isso me dá uma certa frustração, nunca fui obrigado a dirigir um caminhão. Até que eu gostaria.
Mas foi legal, pois conseguiu render uma bela estória, além da aventura propriamente dita.
Abração
fernando cals

2:04 AM  
Anonymous Guilherme said...

Biiiiicho,

Que relato incrível!
Flávio, cheguei até aqui através do "Síndrome de Estocolmo" e achei a tua escrita fantástica!
Vou dar uma olhada nos textos recentes e, de repente, nos arquivos também, mas com a certeza de que vou voltar.

Parabéns e abraços,

Guilherme.

8:43 AM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Flávio, que texto, hein, garoto! seu blog está entrando fácil, fácil pra minha lista de favoritos... li o seu post ao som do Radiohead. Aqui em casa, quando minha filha está por perto, estou proibida de ouvir Idioteque ou Fake Plastic Trees... hehehehe... ela não aguenta mais. Hummmmm... não costumava ser o contrário?

2:51 PM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Só um comentário a mais sobre seu amigo Salviano... as diferenças entre homens e mulheres são enormes também na separação...

Primeiro, ele não querer ver ninguém após a separação (é quando a gente procura todos os amigos) e segundo por você concordar e ficar um ano sem ligar.

Num caso raro em que a amiga não quer mesmo ver ninguém, a gente liga pra saber como ela está dois dias depois, no máximo.

2:56 PM  
Anonymous Carla said...

Acho que fiz essa viagem alucinante também, eheheh! Vou ouvir mais Radiohead :) Beijo grande!

4:40 AM  
Blogger Nora Borges said...

Histórias como estas é que fazem os "contadores de história" como você.
Beijos
Ps: O comentário da Denise está ótimo,mas vai saber o que o Silvano tava fazendo quando vc ligou pra ele! ( Ele não atendeu ofegante??)

6:36 PM  
Blogger Biajoni said...

FLAVITO, TOU INDO PRAÍ...

7:58 PM  
Anonymous Elisa said...

Flavio, adorei o seu relato....dei muitas risadas com sua aventura...acho que deve mesmo ficar com o CD. E concordo, hoje tb trabalho e me divirto em frente ao computador, mas umas fugidas, fazem bem de vez enqdo....e Ilha é sempre bom refúgio...beijos

12:41 PM  
Anonymous Viva said...

Que delícia de texto! Parece que eu acabei de sair do cinema, com a alma leve depois de assistir a um road-movie.

9:28 PM  
Anonymous mauro m said...

Flavio ,
a Itália sempre me encantou por tudo que li , assisti e vi "in loco" pela sua completa e saudável maluquice , só não podia imaginar que esta maluquice afetasse um arquiteto a ponto de colocá-lo na boléia de um caminhão por 800km . Cáspita .

E ... biscoito fino teu texto .

3:59 PM  
Anonymous Anônimo said...

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Anonymous Anônimo said...

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