quinta-feira, julho 21, 2005

O imprevisto

A coisa mais interessante me aconteceu quando eu menos esperava. Me virei e vi a sua figura que se aproximava e pela primeira vez notei que os sinos da igreja tocavam àquela hora. Melhor ainda, reparei que a igreja tinha sinos. Na verdade nunca tinha visto aquela igreja ali. Mas ao me aproximar pude ver os seus cabelos que voavam soltos e me pareceu que era uma imagem da qual eu não tinha nem o direito de ver, de tão bela. Mais alguns passos e o perfume de seu corpo chegou a mim. Agora era já loucura e dessa forma, louca, me coloquei à sua frente e disse que não poderia deixá-la continuar porque deveria ser minha e ela sorriu. Não pude dizer nada pois a beijava e a levei para longe e nos recostamos em um banco de praça e fizemos com o olhar as promessas para toda a vida. Sentia sobre mim o céu e sabia de tudo o que estava acima de minha cabeça e também abaixo de meus pés. Eu era tudo e tudo fazia parte de mim. Ouvi músicas que nunca existirão e disse poesias irrepetíveis para gozo de nossa paixão. Por dias e dias e semanas e meses nos entrelaçamos e nos conhecíamos como quem não é outro.

Mas veio aquele olhar. Bastou aquilo e um frêmito me percorreu pois percebi que chegou o fim. Nos abraçamos despedintes e como nos encontramos, assim nos deixamos.

Ja fazem duas horas. Duas horas de angústia. Duas horas difíceis. Até porque não passa ninguém aqui nessa rua. E essa porra de sino que não pára de tocar.

14 Comments:

Anonymous pecus said...

É, conheço esse olhar, quando o vínculo se rompe e ela volta a ser uma estranha.

3:34 PM  
Blogger Laura said...

" e nos conhecíamos como quem não é outro."
gostei muito.

3:51 PM  
Anonymous Patrícia Köhler said...

Estas despedidas são péssimas, Flavio! Principalmente quando se tem "uma porra de um sino que não pára de tocar"...

6:35 PM  
Blogger Milton said...

Nada como o amor imaginado e as músicas nunca existirão. Interessante e engenhoso o jogo da aproximação. "A figura que se aproximava" e depois "ao me aproximar pude...". Muito inteligente. Abraço.

9:21 PM  
Anonymous christiana said...

Quanta coisa cabe em um instante imaginado, quanto tempo?... e se era ilusão, porque acabou? A perfeição não deveria, mas também tem fim, e por ser assim errada é que é perfeita.

Breve e perfeito, meu querido, dessa vez você se superou!

Beijos.

12:27 AM  
Anonymous Olivia said...

Esse final é ótimo. Ush.

7:52 AM  
Blogger Sheila Leirner said...

Flavio, adorei ler todos os posts atrasados! Este último pequeno conto romântico é uma joinha. Beijo

10:47 AM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Que lindo...

Gente, esses meninos estão tão românticos, ultimamente!!!

sigh...

3:24 PM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Ah, Flavio, nosso papo (eu e o Guilherme) sobre o Style Council está rolando ótimo lá no blog, você podia voltar lá pra contar mais da sua história com a banda ;)

3:25 PM  
Anonymous Roberta Febran said...

Perfeito! O final foi sensacional. E surpreendente, óbvio. Eu adoro a forma como você se expressa, lo sai.

5:48 AM  
Blogger Lena said...

Paixão é isso: Dá e passa! Mas é bom sentir aquela adrenalina toda, alguns até ficam viciados nisso. Bjo!

7:18 PM  
Blogger lima said...

Homens românticos?... espécimes em extinção... Vamos valoriza´-los. Afinal, isto é cada vez mais raro hoje em dia.

Brincadeiras à parte, adorei o texto.

abraço, garoto

10:10 PM  
Anonymous samanta said...

Romantismo puro, mesmo. Tanto que fiquei toda emocionada aqui, ensaiei uma lagrima.
Mas nao dê bola! Essa semana ando tao emotiva que sou capaz de chorar em inauguraçao de supermercado... que coisa!

8:05 PM  
Blogger Manoel Carlos said...

:) Gostei do desfecho :)

7:21 AM  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

More blogs about lixo tipo especial.