sábado, agosto 27, 2005

Bandeiras

As bandeiras estavam hoje enfeitando todas entradas de casas naquela rua. Com quantos sorrisos meu olhar triste esbarrou ? Com alguns chegou a estremecer na pancada. Fui sendo golpeado e dentro de minutos estava eu lá contagiado e ajudando a todos nos preparativos. Aos poucos me enchi de entusiasmo e a dor na barriga parece até que diminuíra um pouco. Os movimentos estavam melhores e a respiração era a mesma de dezoito anos atrás. Aquele cansaço se foi e pus-me a alegremente tirar todas as fitas das caixas e levá-las às mulheres que as torciam e colavam. A rua parecia algo de imaginado por um louco feliz. Tudo era colorido e todos gastavam suas calorias nas mais animadas confusões de felicidade coletiva. Eu estava, podia-se dizer, feliz. Eu. Até que a menina me olhou e disse de forma muito amiga que não me conhecia e que julgava pouco conveniente que eu continuasse ali pois pelas evidências de minha pele eu logo seria convidado a sumir dali e como me viram muito animado ajudando as pessoas, todos se perguntaram quem era eu e todos estavam incomodados com minha presença já que não só a menina, mas ninguém me conhecia e...bem, segui meu caminho.

17 Comments:

Blogger Laura said...

Ótimo, vc é bamba. Passou a estranheza.

2:17 AM  
Anonymous Pessimista said...

PQP, Flavinho... você me fez chorar!!!!
Quantas vezes não tive a sensação de estar no lugar certo na hora errada???
Só que não serei a "menina"... vou te deixar entrar na festa!!!


Rapaz, te adoro de paixão!!!

Pess e Jacaré...

2:57 AM  
Blogger lima said...

Por que vc não se apresentou? he he
abraço, garoto

5:02 AM  
Blogger qualquer calmaria said...

A vida é mesmo feita de momentos.
Beijo.

7:17 AM  
Anonymous Afonso said...

É o estado a que chegou a humanidade. Apesar de ser uma historinha, reflete bem a segregação que as pessoas fazem, a clausura na qual as sociedades e grupos se enfiam cada vez mais; a falta de querer conhecer o outro, de dar oportunidade para que as pessoas se mostrem. É triste... abs

5:30 PM  
Blogger Laura said...

Lembro de estrangeiros, do livro, do sentimento que sentimos em lugares onde mais parecemos exilados...

5:49 PM  
Blogger Lena said...

SACANAGEM... Ser barrado por uma menininha??? Ahhhhh! Fala sério... Porque não mandou a menina ir catar coquinho?
O cara tá amarrando o maior bode e vem uma chatinha estragar a festa do coitado? Ninguém merece!

10:31 PM  
Blogger S.L. said...

Flavio, quanto mais escreve melhor você fica. Talento é isso! :) Beijo

10:43 PM  
Blogger Allan Robert P. J. said...

E, afinal, quem era você? :)

5:37 AM  
Blogger Lucia Malla said...

As vezes o caminhar eh a verdadeira felicidade... :-)

9:37 AM  
Blogger Denise Arcoverde said...

É a nossa conhecida "impertencência", querido Flavio...

3:52 PM  
Anonymous gugala said...

não desanime. Sinta-se em casa aqui.

5:44 PM  
Anonymous Tec Lado said...

...e se você tivesse um livro amarrado ao corpo, debaixo da camisa, pronto a explodir em mil poemas?...

6:03 PM  
Anonymous Viva said...

Eu ficaria profundamente chateada...

10:01 PM  
Blogger Chico said...

Infelizmente,

é assim que a vida e as pessoas podem ser...

.. mas se pararmo por conta disso.. e aí ?

.. portanto, deixem que venham as novas ruas. Uma dia a alegria há de chegar..

;)

10:09 PM  
Blogger Milton said...

Li os comentários e comento-os mais do que a ti, Flavio: ah, mas foi tão bom de ler...

10:14 PM  
Anonymous Pess said...

Concordo com você,Chico. As novas ruas sempre virão... A "minha" chegou de surpresa, de longe e está todos os dias comigo!!

Pess

1:46 AM  

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