Quarta-feira, Setembro 28, 2005

Aborto


No dia de hoje acontece uma nova blogagem da cadeia mundial unificada de blogs simpáticos e felizes chamada Nós na rede e que estão tratando do tema aborto. O objetivo é chamar a atenção ao fato que existe um projeto de lei sobre a matéria e que está parado no congresso. O tema é polêmico e não deveria ser, porque a questão não é moral ou religiosa mas sim de direitos civis. Não vou dizer aqui minha opinião sobre o aborto até porque isso é pouco importante. O que importa é haver o direito de escolha. Ou melhor, ter direito à assistência e à orientação já que muitas vezes não se tem muita possibilidade de escolha. A interrupção de gravidez se faz e de modo ilegal, até mesmo por quem vai à missa. Mesmo porque esse é um assunto que muda muito de figura quando se tem um exame positivo nas mãos. Portanto se trata somente de regulamentar a prática. Não se trata de pedir a ninguém de renunciar a seus princípios mas de ampliar o estado de direito.

O estado brasileiro é laico, ou seja, desvinculado da igreja ou de qualquer religião. Portanto em um estado laico o que conta, mais do que dogmas ou crenças, é o direito civil. O estado laico tem como farol a ciência, que dá os subsídios para a confecção de leis que visam ampliar o espaço democrático e os direitos individuais. No caso do aborto, a ciência diz que até determinado tempo de gestação, o embrião não pode ser considerado um ser humano, não diferindo de qualquer ser vivo animal, seja uma rã ou um jacaré. Não tem consciência, dor nem muito menos sentimentos. Além disso, a possibilidade que uma gravidez termine naturalmente em aborto é alta. Em geral de 15 a 20 por cento das gestações terminam de modo espontâneo, chegando a 40% nas mulheres de mais de 40 anos. Muitas vezes a mulher nem fica sabendo que abortou. As causas da interrupção espontânea são várias e muitas pessoas que são contra a discriminalização já abortaram e ignoram isso. Não vamos criminalizar a natureza por isso.

Aqui entra o problema que na verdade é pura polêmica. Se a igreja considera um ser humano o embrião, mesmo que sejam 32 células, menos que uma unha ou um fio de cabelo, se cria uma situação de paradoxo tremenda e muita gente sofre por conta de um dogma. A origem disso é o beco sem saída que a estratégia de marketing da igreja criou. Como forma de garantir a filiação de novos católicos, a igreja estabeleceu a regra de se batizar ainda bebês, os novos adeptos. Criou-se todo um mito de salvação da alma para que a prática tivesse algum significado. Acontece que levando a extremos, até os fetos tem alma e no caso por exemplo de risco de vida para a mãe, a igreja prefere salvar o feto e deixa-la morrer, pois esta tem já sua alma salva e o feto não. Enquanto escrevo, penso no absurdo que isso representa mas quem disse isso ainda recentemente foi o falecido João Paulo II na sua encíclica Evangelium Vitae.

Conheço milhares de pessoas que se escandalizam com a retirada de um óvulo fecundado de um útero e passam sem olhar dos lados por crianças abandonadas que reviram lixo para comer, sem nem ao menos prestar atenção a isso já que são coisas incorporadas à paisagem. Estranho isso do dogma fazer enxergar aquilo que convém. Muitas vezes não o que convém à pessoa mas a quem criou e difundiu o dogma. O mais interessante é que se fôssemos seguir todos os dogmas que estão na bíblia por exemplo, teríamos que rever todo o mundo civilizado e renunciar a 90 por cento das coisas que fazemos. Por sorte, a maioria não mais convém a ninguém. No capitulo 38 do Gênesis, quando se conta a historia de Onã que derramava o sêmen por terra, talvez alguém poderá deduzir que o sêmen contém células vivas e portanto deveríamos criminalizar também a masturbação. Nesse passo se chega velozmente ao autoritarismo e a ditadura para não falar em loucura coletiva.

Em tempos remotos e em lugares diversos do planeta já foi ou é proibido e passível a todo tipo de sanções e penas, fumar, tomar café, beber cerveja ou outros alcoólicos, olhar o corpo de uma mulher, comer tomates e pimenta e inúmeras outras coisas que para nós ocidentais do século XXI parecem banais e fazem parte do dia a dia. Nós temos o direito por exemplo de tragar fumaça até ficarmos impotente primeiro e cancerosos por último e isso parece que não causa tanto espanto quanto extrair um embrião do útero de uma mulher. Podemos tomar litros de cachaça todos os dias e arruinar não só a nós mesmos mas também nossa inteira família, mas optar por não ter um filho parece ser muito pior do ponto de vista moral. Se temos o direito absurdo de estragar a própria saúde, fica por outro lado claro que as conseqüências desses atos não fazem parte dos nossos planos iniciais que objetivavam somente prazer e inserção social. Ninguém escolhe fumar porque quer ter um câncer. Simplesmente a vida o levou a fumar e nem todos tem a oportunidade de deixar o vício. Isso não o faz criminoso. Quem bebe, não pode ser considerado anormal ou vagabundo como querem alguns, mas simplesmente um que tem uma doença e deve ser tratado. No entanto, não obstante a doença alcoolismo seja muito difusa, os bares existem aos montes e ninguém pensa em torná-los proibidos outra vez. Porque quem quer entrar no bar, entra com os próprios pés. É uma escolha. Eu vou a bares e já faz tempo que bebo muito menos do que fazia, além de ter parado de fumar. São escolhas que em mundo menos livre eu não poderia fazer. O que quero dizer é que conheço muita gente que nunca bebeu ou fumou e nem mesmo comeu carne, por questões de princípios, alguns até de caráter religioso e ninguém no mundo pode reprová-los por isso.

A escolha do aborto porém, muitas vezes é quase obrigada. Como disse, não se tem muitas saídas para uma gravidez indesejada. E as conseqüências para esse ato onde o objetivo não é o prazer nem a inserção social, são dramáticas. A mulher sofre muito em todo o processo, porém o alívio e a solução de um problema, se conta com assistência, a ajuda de especialistas e amparo da lei, fazem a compensação. O que não podemos mais é tratar as mulheres que abortam, como criminosas.

Aqui na Itália existe desde 1978 a lei 194 que regula a questão. Quem lê italiano pode consultar aqui o texto completo. Até noventa dias de gravidez, a mulher pode interromper a mesma quando, depois de passar por uma serie de exames e entrevistas, “acuse circunstâncias pelas quais o prosseguimento da gravidez, o parto ou a maternidade comportariam um sério perigo a sua saúde física, psíquica, em relação ao seu estado de saúde ou às suas condições econômicas, ou sociais ou familiares, ou a circunstâncias na qual se deu a concepção, ou a previsões de anomalias ou malformações do concebido”. Depois de noventa dias, somente para casos de grave risco a mãe e/ou malformações acertadas. A mulher que decide fazer um aborto a partir de uma ou mais causas elencadas acima, recebe uma enorme assistência seja clínica que psicológica e passa pela avaliação de muitos profissionais que inclusive em um primeiro momento tem o dever de fazer todo o possível para evitar um aborto leviano. Essa em resumo é a lei que está em vigor e funciona muito bem. Porém não está escrito em nenhuma parte dessa lei que a mulher que se enquadre nesses ítens, é obrigada a abortar. Se assim fosse, eu estaria lutando por modificar a lei no sentido de dar o direito de não abortar a quem não quisesse fazê-lo. Tudo reside na questão do direito.

No mundo de hoje é difícil se falar de democracia já que tem tão pouca para se usar como modelo. Mas a base da dita cuja é o respeito às diferenças e o direito de escolha. Posso achar estranho que as mulheres muçulmanas usem o véu, ainda que casadas e mães felizes e achar normalíssimo que freiras usem o mesmo véu, ainda que solteiras e tristemente estéreis, mas mesmo assim devo respeitar todos igualmente. Se vejo o mundo a partir do meu ângulo, e não poderia ser mesmo diferente, não quer dizer que quem está de outro lado não tenha os mesmos e sagrados direitos que eu tenho.

Aborto é algo terrível e comporta uma decisão importantíssima. Ninguém o faz como meio de controle dos nascimentos pois é uma medida de exceção. Aprovada a discriminalização do aborto, a luta deve ser no sentido de aumentar a consciência e assistência a uma maternidade responsável. Difundir métodos anticoncepcionais e alargar o acesso a assistência médica.

Finalizando, a criminalização do aborto não impede sua prática, somente a torna mais perigosa, cara e sujeita a todo tipo de aventureirismo; considera a vida de uma mulher menos importante que a de um ovo fecundado; obriga familias inteiras a empenho de anos no tratamento de pessoas malformadas.

A maternidade deve ser uma escolha consciente e responsável e nunca o fruto do mal funcionamento de um anticoncepcional.

Este post fica até sábado e espero ter tempo de responder aos comentários.

37 Comments:

Blogger Allan Robert P. J. said...

Flávio,
É incrível como as mulheres são obrigadas a sujeitarem-se às normas e leis decididas e implementadas por homens. Antes de decidir como comportar-se diante de uma decisão de aborto, será que os homens que promulgam tais leis (porque a grande maioria são homens) ouviram E ESCUTARAM representates de associações femininas? É óbvio que não! O machismo que tanto assusta na religião mussulmana, se faz presente (ainda que de forma velada) nas decisões daqueles que deveriam representar os interesses de todos, sem distinção de sexo, credo ou raça. Não sou contra o islamismo nem contra políticos ou legisladores: sou a favor da mulher. Da liberdade de escolha e da autonomia sobre o próprio corpo. Sou a favor da liberdade.

12:02 PM  
Anonymous Afonso said...

Belíssimo. abs

1:10 PM  
Blogger Milton said...

Absolutamente de acordo, Flavio. De acordo, inclusive, com a lei italiana.

Grande abraço.

2:13 PM  
Anonymous BethS said...

Você disse tudo.
Abs

3:16 PM  
Anonymous wilson said...

Seu texto está ótimo. Apenas acrescento que a falta do direito à liberdade de escolha, conjugada com as companhas contra o aborto defendidas pela igreja, principalmente, acaba afetando as pessoas mais necessitadas, que além de não terem as condições materiais pra tomar uma decisão pró-aborto, em geral também não possuem as condições, digamos, intelectuais pra se livrar dos dogmas religiosos que a aprisionam. Quanto o lado da igreja, mais danoso do que o pregação contra o aborto é a insistência em não reconhecer o valor do controle da natalidade nos países pobres.

abraço

3:46 PM  
Blogger Cynthia said...

Perfeito, Flávio. Adorei o post, e concordo com você.

3:51 PM  
Blogger  said...

Que post profundo!!!
Parabens!!!
E achei incrivel esta lei italiana!
Vou fazer um breve relato domeu depoimento pessoal...lá no meu blog.
Abraços...

4:04 PM  
Anonymous Viva said...

Flávio, texto maravilhoso. Também postei sobre a liberdade de optar. Concordo perfeitamente com tudo que você disse. A única ressalva que faço que o Estado Brasileiro é laico apenas em tese. Todos sabemos o quanto a Igreja ainda influencia as decisões dos nossos 3 Poderes.

4:33 PM  
Blogger Dalva said...

Legal!

"Pimenta no brownie do outro é refresco"

4:59 PM  
Anonymous Leila said...

Excelente post contra a hipocrisia, Flavio. Assino embaixo. Beijão.

6:30 PM  
Blogger Wilian said...

Olá, tudo bem? Cheguei aqui através dos links da Mônica e gostei muito. Visitarei com freqüência.
Interessantíssimo o tema abordado neste post e vc o fez c/muita propriedade. Parabéns!
Abraços.

7:29 PM  
Anonymous laura said...

Concordo com vc, falou e disse. parabéns pelo texto. nj laura

12:07 AM  
Anonymous Sandra said...

Amigo,

sensacional!

Te adoro...

2:30 AM  
Anonymous Roberta Febran said...

Vou cair no comum e concordar com a maioria aqui, inclusive com você. Gostaria até de dizer mais, mas acho que vou fazer isso lá no blog (o tema me deu grandes idéias). Bacio.

2:31 AM  
Blogger Sergio Leo said...

Belíssima lembrança essa, da lei italiana, Prada. Assino embaixo das considerações sobre o mal da religião, que aborta a liberdade de pensamento...

2:39 AM  
Anonymous Maria Helena Nóvoa said...

Flavio, querido,

Podemos nãoconcordar em tudo sobre aborto; mas concordamos em prazeres etílicos e fumaças cancerígenas.

Continue meu amigo!

Beijo grande e parabéns pelo post.

9:02 AM  
Blogger Daniela said...

A maioria das pessoas que engravida não é vítima de um anticoncepcional que falhou.

12:40 PM  
Blogger Denise Arcoverde said...

Flavio Prada, queridissimo, como sempre você ARRASOU! seu post está informativo, inteligente, BRILHANTE!!! adorei a comparação entre o véu das muçulmanas, casadas e felizes, visto pelo Ocidente como algo negativo e o véu das nossa freirinhas melancólicas, frustradas e sozinhas, tão bem visto pelos nossos pares desse lado do mundo!

E nossos posts se complementam, não acha? por outros caminhos, abordamos o mesmo aspecto... o da conveniência histórica...

Um grande beijo e parabéns!!!!

3:13 PM  
Anonymous Gejfin said...

Putz... eu disse que achei perfeito o post e que, no meio, eu destacava isso "conheço milhares de pessoas que se escandalizam com a retirada de um óvulo fecundado de um útero e passam sem olhar dos lados por crianças abandonadas que reviram lixo para comer, sem nem ao menos prestar atenção a isso já que são coisas incorporadas à paisagem..." e seguia falando sobre a igreja e de como isso é das coisas mais absurdas... daí o Blogger resolveu dar PAU... e foi-se o comentário para o reino dos céus.

Eu abortaria o Blogger, por exemplo.

:)

Abração tchê!

2:28 AM  
Blogger nicinha said...

|Flávio,
O seu texto é contraditório. Cheio de meias verdades e muito baboseira de quem não sabe o que diz.
Que Deus lhe perdôe por isso.
Claro que penso na situação da mãe e por isso que escrevo o que eu escrevo.
Eunice

9:20 AM  
Blogger Flavio Prada said...

Allan, somos dois a favor da liberdade. Obrigado pelas palavras.

Afonso, Milton, Bets, obrigado.

Wilson, bem lembrado, estou de pleno acordo e acredito que tudo esteja ligado a uma questão de mercado de rebanhos para a igreja. As duas coisas são intimamente relacionadas. Um abraço.

Cynthia, Ju, Viva, Paloma, obrigado.

Leila, Wiliam, Laura, Sandra, Obrigado a voces também.

Roberta, Sergio Leo, obrigado pelas palavras, voltem sempre.

1:00 PM  
Blogger Flavio Prada said...

Maria Helena, no que depender de mim, continuarei sempre seu amigo, até porque a tua amizade é algo que me enche de prazer e satisfação, independente de opiniões sobre este ou outro tema. Beijos.

Daniela, obrigado pela informação. Em todo caso algo falhou se alguém engravida sem poder ou querer. Beijos.

Denise, concordo, os posts se complementam. Diria que tivemos uma certa sintonia. Beijos.

Gejfin, obrigado pelas palavras e estou pensando sim em abortar o blogspot. Deixa eu terminar um projeto pra ontem e voltamos a falar. Abraços.

1:21 PM  
Blogger Flavio Prada said...

Eunice, espero que Deus perdôe má educação. Voce tem o direito de não concordar com absolutamente nada do que eu escrevi, mas não tem nenhum direito de vir me desrespeitar por isso. Voce pode saber que eu NUNCA irei no teu blog dizer que voce é uma carola oligofrenica. Nunca, fique sossegada.
Agora relaxe, saia pra comer uns poffertjes e depois volte aqui para comentar em modo educado. Terei prazer em responder aos teus argumentos.

1:27 PM  
Anonymous Juliano said...

A destruição do corpo materno é invisível aos olhos hipócritas. A violação cotidiana do corpo feminino é irrelevante para muita gente que abomina o aborto. E não se trata - necessariamente - de defender o aborto. É muito mais que isso: é denunciar essa hipocrisia farisaica ainda latente na sociedade moderna - como você fez magistralmente nesse post. Abraços.

6:13 PM  
Anonymous Túlio Vianna said...

Parabéns pelo texto, Flávio! Adorei a analogia com a masturbação. É o biopoder descrito por Foucault: um poder que visa controlar o corpo, seja por meio de um tabu, da religião ou do Direito. O máximo em termos de domesticação humana. Inevitavelmente fadado ao fracasso. Abraços!

11:08 PM  
Anonymous Juliano said...

Flávio, me atiçou a curiosidade sua citação sobre Onã, o mais famoso onanista do mundo ;).

A citação mais próxima ao nosso tema talvez esteja em Êxodo, 21:22-25. Uma prova inconteste da importância da vida da mãe, acima de tudo. Não se dê ao trabalho de desempoeirar a bíblia; há riscos de voltar a convalescença. Eis:

“22. Se alguns homens estiverem brigando e ferirem uma mulher grávida, e por causa disso ela perder a criança, mas sem maior prejuízo para a sua saúde, aquele que a feriu será obrigado a pagar o que o marido dela exigir, de acordo com o que os juízes decidirem.

23. Mas, se a mulher for ferida gravemente, o castigo será vida por vida,

24. olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, machucadura por machucadura.”

Para bom entendedor, meia palavra

;)

Abraços

12:15 AM  
Anonymous Patrícia Köhler said...

Vocês todos estão de parabéns. Você, Flávio, pelo texto coeso e com informações preci(o)sas. E também os comentaristas (com uma única exceção, mulher hipócrita e mal-educada que só), que complementaram o post com outros dados e opiniões úteis.
Gostei demais de todos os textos que li até agora, parabéns mesmo a todos pela iniciativa do Nós na Rede.
Beijos!

6:45 PM  
Anonymous Anônimo said...

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7:42 PM  
Anonymous Anônimo said...

Olá,
primeira vez por aqui. Estava pesquisando sobre aborto, queria uma opinião inteligente, livre dos cansados julgamentos que fazem a mulher que abortou sentir-se o pior dos seres humanos. E encontrei você. Preciso me abrir com alguém, então vai: há cerca de vinte dias, fiz um aborto. Falha no uso de preservativo (rasgou). Percebi o rasgo, mas como estava próxima da minha anterior menstruação, não liguei. Bem, veio o restultado positivo. Entrei em desespero principalmente porque meu namoro não estava nada bem, inclusive terminamos tudo. Ele me deixou decidir. O que fazer? Decidi. No dia, fiquei aliviada. Foi difícil achar a clínica clandestina, e conseguir o dinheiro.
Bem, de uns dias para cá, comecei a sentir uma culpa e remorso horríveis. Penso em bebês o tempo todo, e digo a mim mesma que só vou sossegar quando tiver um filho. Então, para aliviar essas paranóias, é bom ler um texto como o seu. Valeu.
L.Cristina

11:02 PM  
Anonymous Anônimo said...

Olá td bem?
Eu estou desesperada, depois que vi esse blog eu meio que me aliviei um pouco, pq as vezes as pessoas nos mostram as coisas com tanto exagero que nós acabamos acreditando que é exatamente daquela forma. Tenho 19 e descobri que estou gravida do meu namorado, minha menstruaçao ja esta atrasada, e o feto ja deve estar em meu utero ha uns 15 dias.
Estou pensando seriamente em provocar um aborto, visto que tenho duas irmas: uma de 18 e outra de apenas 15...as duas engravidaram em um intervalo de menos de um ano, não quero ser mais um motivo de decepção para minha mae, ela não aguentaria mais essa. Mesmo sabendo que fui inconsequente e que ja é uma vida,fico mais alivida em saber que ate um certo tempo o feto naum é considerado ainda um ser humano, minha consciencia fica mais aliviada. Estou pensando em fazer uma coisa que a maioria das meninas da minha idade fazem e geralmente da certo, estou pensando em tomar boldo para descer a menstruação já que ainda só tem duas semanas mais ou menos. Mesmo pq tbm não tenho a menor condição e possibilidade de fazer um aborto em uma clinica, mesmo pq tenho medo pois sei que corro muito mais riscos. Queria saber de vc, uma sugestão, se vc tiver alguma opiniao a me dar, se vc tem algum conhecimento sobre isso, se estou fazendo certo. Pq eu tbm tenho medo de não dar certo e ter uma consequencia pior.
POr favor tente me responder o mais rapido possivel, pq to desesperada, e preciso muito da sua ajuda.
Obrigada por nos confortar, pq eu concordo que o aborto nao é nada mais do que uma consequencia necessaria, pq se a mulher esta fazendo é pq é necessario, senão não o faria. E eu tenho plena consciencia de que´é necessario pra mim, pela minha mae e pelo futuro desse proprio ser que eu viria a gerar, quero com certeza ter minha familia e meus filhos e dar muito amor a eles, mas sei que no momento nao sera esse privilegio que ele tera. Espero que Deus tenha piedade de mim, me perdoa e me entenda por isso, pois no mundo de hj temos que pensar muito antes de gerar uma vida, pois é uma VIDA.
Muito obrigada, aguardo anciosa sua resposta
Bjos
Erica, 19
São Paulo

3:41 PM  
Anonymous B/Campinas said...

Tenho 21 anos e namoro há quatro. Há um mês atrás descobri que estava grávida. Eu não podia ter um filho naquele momento da minha vida... eu e ele na faculdade... eu até tenho um emprego fixo, mas ele não.. e meus pais, pai principalmente, super rígidos... pensamos em aborto. Liguei para minha ginecologista e ela disse q uma clínica era o lugar com menos riscos, no entanto, não poderia me indicar uma, pois era contra seus princípios. Mas a questão era, como encontrar tal clínica? Marquei uma consulta com outro ginecologista, e ele me indicou um outro. Marquei uma consulta no dia seguinte com esse outro ginecologista, e ao chegar em seu consultório, junto com meu namorado, dissemos o que queríamos. Ele disse que poderia fazer o procedimento lá mesmo, naquele mesmo dia. Custaria 1.800. Arrumamos o dinheiro e voltamos 1 hora mais tarde.
Lá estava eu, deitada com um avental, e o médico inserindo um remédio em minha veia para que eu dormisse. Tive minhas pernas amarradas (para que eu ficasse naquela posição mesmo dormindo), e estava certa do que estava fazendo. De repente, já meio mole, ouço a enfermeira dizendo: "você vai embora, seu namorado pediu para parar". Foram raras as vezes que tinha visto meu namorado chorando... e essa foi uma delas. Ele pegou metade do dinheiro de volta e saímos da clínica. E eu completamente zonza por causa dos remédios... a única coisa que me lembro é dele chorando, beijando minha barriga e dizendo que teríamos o filho.. que ele conseguiria um emprego, que casaríamos, tudo do jeito que eu sempre quis...
Na verdade acho que tive que passar por tudo isso para perceber que ele realmente me amava...
Conversamos durante os dois dias seguintes, e ele me disse que tinha me tirado de lá pois ele achava que eu queria o filho, e só estava tirando por causa dele... mas eu sabia que aquele não era o momento... quero fazer tudo na ordem certa.. quero casar, curtir meu casamento, e dar pulos de alegria quando ler "positivo" no exame... e não chorar, como havia feito... estava de 5 semanas... não havia nada formado na minha barriga... e eu sabia disso...
Voltei na clínica no dia seguinte, e realizei o procedimento. Não me lembro de nada, por que dormi.... não senti nada.... hj, um mês depois, minha menstruação vem regularmente, e sei que essa foi a melhor coisa que eu poderia ter feito...
Um filho nesse momento não seria tão bem-vindo quanto um no momento certo... mas não que isso signifique que ele seria menos amado...
Hoje evito ficar pensando... e não penso como se eu tivesse tirado um filho na minha barriga... penso que um óvulo fecundado foi retirado... não tive nenhum trauma, e posso ver crianças e bebês na minha frente que vou sorrir, e não chorar...
Acho que sinto tudo isso por que realmente o método que escolhi foi o melhor.. não senti dor, não vi nada, dormi o tempo todo.. e o mais importante... sabia que ao meu lado tinha uma pessoa que me amava, e que, independente da minha decisão, ficaria comigo...
Sei que vou ser uma ótima mãe, e ele um ótimo pai... mas tudo isso no momento certo!

6:39 PM  
Anonymous Anônimo said...

Na minha opinião fazer um aborto ou ter um filho na hora errada traz consequências de formas diferentes.O aborto traz culpa, remorço, fora os riscos pro corpo da mulher como por ex as chances de engravidar novamente são menores.
O pior que não ter condições financeiras pra ter um filho é não ter estrutura psicológica. Muitas mulheres engravidam e mesmo sem condições financeiras, conseguem criar seu filho com dignidade,as vezes é um motivo pra tentarem se reerguer, ir à luta, as vezes elas mesmos sem querer acabam se ajudando, pq quando não tem com o q se preocupar, algumas pessoas as vezes se acomodam.
Existem outras q se tivessem um filho só piorariam a situação e cairia em depressão e em vez de se reerguer se afundam mais ainda, e se acha vítima do destino e pode até ter raiva da criança, q não tem culpa nenhuma.
Não sou a favor e nem contra a legalização do aborto,sou a favor do direito da escolha,cada um sabe o que é melhor pra si e ninguém tem o direito de se meter.
Eu mesma sou uma pessoa que sempre mudo de opiniões, pq a vida é um aprendizado, ninguém deve ser tao radical, pq se for as vezes a vida te mostra que está errado e talvez de forma cruel.
A única opinião que sempre manterei é que cada um deve cuidar da sua própria vida e ninguém tem o direito de julgar. Cada com suas morais,valores etc..,ninguém é igual a ninguém,cada um pensa, ama e é feliz como quer.Por sermos diferentes é que a vida tem graça.

8:25 AM  
Anonymous Anônimo said...

Quero dar uma ressalva se o aborto for legalizado sou a favor até o 3 mes,devido aos médicos dizerem q o feto já tem conexões cerebrais assim podendo sentir dor. Desde o momento da concepção há vida, mas uma vida como uma planta por ex.Se não tivesse vida algumas mulheres não sentiriam naúseas,cólicas,sono etc... Mas a pessoa só passa a existir de fato apartir do 4 mês.Quero tb deixar claro q tb não julgo quem já fez a partir do 4 mês, mas acho q já não há necessidade de fazer dps de tanto tempo o sofrimento será maior tanto para a m quanto para o feto.

8:33 AM  
Anonymous Anônimo said...

Olá Pessoal,
Este texto do Flavio realmente é muito bom e me ajudou muito com os pré-conceitos que tinha a respeito deste assunto.
Estou passando por este problema, ja tomei vários chás e até agora nada, estou indo para 7°semana e gostaria muito que alguem me ajudasse a encontrar uma clinica de confiança.
Agredeço muito a quem puder me ajudar, pois só quem ja passou por este problema sabe o que estou passando.

Um Abraço

Aline/SP.

6:39 PM  
Anonymous Anônimo said...

Olá pessoal otimo texto, tambem presciso de ajuda nesse momento estou indo para uma gestação de 13 semanas e presciso de uma clinica em sp urgente... Sabe antes eu tinha um pouco de pré conceito a respeito desse assunto mais só passando por essa desesperadora situação para saber...
Para quem puder me ajudar peço que me envie um email desde ja agradeço!!!
carinagorg@bol.com.br

4:10 PM  
Anonymous Anônimo said...

PRECISO INTERROMPER A GRAVIDEZ. POR FAVOR, CONFIEM EM MIM. SOU UMA PESSOA IDÔNEA QUE PRECISA DE AJUDA. VOCÊS REALIZAM ESTE PROCEDIMENTO?

ENVIO TODOS OS DADOS QUE FOREM NECESSÁRIOS E PAGO TUDO À VISTA, IMEDIATAMENTE.

OBRIGADA.

CAROLINA MODESTO

carolinamodesto@hotmail.com
(11) 9929-4223

12:47 AM  
Anonymous Anônimo said...

Flávio, por gentileza, excluir minha mensagem anteriormente enviada, por favor.

Por motivos particulares, preciso eliminar minhas mensagens relacionadas a isto da rede.

Por favor, conto com sua ajuda.

CAROLINA MODESTO

carolinamodesto@hotmail.com

5:12 AM  

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